terça-feira, 12 de março de 2013

Delegada vai a hospital para ouvir ciclista atropelado na Av. Paulista


David de Souza, de 21 anos, perdeu o braço no acidente. Ele deixou a UTI.
Promotora se manifesta contra pedido de liberdade provisória de motorista.


A Polícia Civil ouve nesta terça-feira (12) o depoimento do ciclista David Santos de Souza, de 21 anos, que teve o braço decepado ao ser atropelado na manhã de domingo (10) na Avenida Paulista. David já deixou a UTI e está em um quarto do Hospital das Clínicas. O depoimento era colhido por volta das 12h pela delegada Priscila de Oliveira Rodrigues.
O estudante de psicologia Alex Siwek, que atropelou David e jogou seu braço em um córrego, está detido no Centro de Detenção Provisória 2 do Belém, na Zona Leste. Seu advogado pediu que ele responda em liberdade. A promotora do 1º Tribunal do Júri Manoella Guz se manifestou pelo indeferimento do pedido de liberdade provisória do Alex e pela conversão da prisão em flagrante em preventiva.
O depoimento de David é um dos passos para a conclusão do inquérito. A polícia aguarda para esta terça os resultados das perícias feitas no local da batida, no carro de Alex e no Córrego Ipiranga, local onde o braço foi jogado na Avenida Doutor Ricardo Jafet.
Segundo o delegado titular do 5º DP, Carlos Eduardo Silveira Martins, a polícia também busca imagens de câmeras de segurança do local do acidente e também do ponto onde o braço foi jogado. Até agora, a polícia tem apenas imagens de uma câmera da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) que mostram uma viatura de resgate passando às 6h06 de domingo para atender a ocorrência.
A polícia já tem em mãos o exame clínico que apontou que o motorista havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente que aconteceu na manhã de domingo (10). A comanda de consumo de Alex Siwek,  paga na casa noturna de onde ele saiu antes de atropelar o ciclista, mostra que ele pagou por três doses de vodca e um energético. O horário que a comanda individual de consumo foi fechada, às 6h, porém, é posterior ao horário do acidente, ocorrido às 5h30.
Testemunhas
David ia para o trabalho quando foi atingido pelo carro conduzido pelo estudante de psicologia Alex Siwek, de 22 anos. Testemunhas disseram que o carro andava em zigue-zague e já tinha derrubado alguns cones colocados na Avenida Paulista para sinalizar a instalação da ciclofaixa. Após atingir o ciclista, o motorista deixou o local sem prestar socorro.
Arte (Foto: Arte/G1)Arte (Foto: Arte/G1)
O estudante Thiago Chagas dos Santos, que já tinha feito curso de primeiros-socorros, foi a primeira pessoa a prestar atendimento ao ciclista.
Santos observou que o limpador de vidros perdeu os sentidos. “Vi que ele não estava respirando, não tinha pulso. Fiz respiração boca a boca e massagem cardíaca”, afirmou Santos ao Bom Dia São Paulox. Segundo ele, alguém que passava pelo local afirmou que a vítima estava sem o braço. “Ele ouviu e entrou em desespero. Eu falava que ele estava com o braço para ele não ficar mais desesperado ainda”, contou.
Investigações
Segundo o delegado Carlos Eduardo Silveira Martins, titular do 5º Distrito Policial, na Aclimação, que assumiu o caso, os investigadores irão percorrer nesta segunda-feira  diversos prédios das avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antônio em busca de imagens. A polícia investiga também se o motorista Alex Siwek, de 22 anos, que fugiu do local sem prestar socorro e se entregou à polícia horas depois, recebeu alguma multa por excesso de velocidade no dia do acidente. Treze testemunhas já foram ouvidas, segundo a delegada Priscila Rodrigues.
Mãe
A empregada doméstica Antônia Ferreira dos Santos, de 51 anos, mãe do ciclista, disse que ouviu do filho a afirmação de que ele estava na ciclofaixa quando foi atingido pelo automóvel. No horário em que ocorreu o acidente, a ciclofaixa de lazer ainda estava desativada. A mãe contou que o rapaz, que trabalha como limpador de vidros, saiu de Diadema, na Grande São Paulo, e se dirigia ao trabalho, em um prédio próximo ao Hospital das Clínicas.
Nesta terça a família não quis falar com a imprensa. Na segunda (11), recebeu o SPTV em casa. A mãe da David, Antonia Ferreira dos Santos, afirma que pedia que o filho fosse ao trabalho de ônibus. “Mas ele falava que ele queria ir de bicicleta porque ele adorava andar de bicicleta.” Ela pede justiça. “Que não deixe ele amanhã ou depois sair pela porta da frente da delegacia, né? Para que não aconteçam outras tragédias como essa né?”, afirmou.
Estudante
Na descrição da polícia, o motorista Alex Siwek  estava dentro de um Honda Fit ao lado de um amigo quando o acidente ocorreu, por volta das 5h30. O ciclista foi atropelado por trás e lançado sobre a frente do veículo. O braço direito do ciclista foi amputado por estilhaços de vidro do pára-brisa e permaneceu preso ao veículo. O motorista fugiu do local, deixou o amigo em casa e depois foi à Avenida Doutor Ricardo Jafet, de onde lançou o braço em um córrego. Depois, voltou à própria casa, guardou o carro na garagem e dirigiu-se a pé à unidade policial para se entregar.
O advogado de Siwek, Pablo Naves Testone, afirma que pedirá que Siwek responda ao processo em liberdade. Ela afirma que junta documentos para mostrar que o estudante não tem antecedentes criminais e que reúne os requisitos para responder o processo em liberdade. No domingo, o advogado Cássio Paoletti disse, representando Siwek, que  que seu cliente não prestou socorro à vítima porque temeu a reação de pessoas que estavam próximas ao local do acidente.
g1

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