Pai de uma das vítimas investigou o crime por conta própria.
Policiais, presos nesta semana, devem responder por duplo homicídio.
O Ministério Público vai denunciar por duplo homicídio qualificado os cinco policiais militares suspeitos de terem participado do assassinato de dois jovens, na Zona Leste da capital paulista. Daniel de Oliveira, pai de uma das vítimas, investigou o crime por conta própria e reuniu provas que constavam a versão dos PMs de que os rapazes tivessem reagido a uma tentativa de abordagem.
para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte.
O crime aconteceu na madrugada de 1º de julho. O filho de Daniel, Cesar Dias de Oliveira, e um amigo, ambos de 20 anos, saíam da casa de um amigo na Vila Dalva, na Zona Oeste de São Paulo. Eles saíam da casa do primo de Cesar quando foram abordados pela polícia. A suspeita é que eles tenham sido confundidos com criminosos que tinham trocado tiro com os policiais pouco tempo antes.
Segundo consta no Boletim de Ocorrência, cinco policiais militares envolvidos na ocorrência afirmam que estavam em patrulhamento de rotina quando perceberam uma motocicleta com dois indivíduos em atitude suspeita. Os jovens não teriam obedecido a uma ordem de parada e fugiram. Ainda segundo os policiais, o jovem na garupa atirou e o que dirigia a moto perdeu o controle e caiu. Mesmo depois da queda, os jovens teriam continuado atirando, foram baleados e levados para um hospital.
A versão, no entanto, é contrariada por testemunhas encontradas por Daniel. Em conversa com moradores do bairro, o pai soube que, naquela madrugada, os policiais voltavam de um confronto com traficantes em uma favela próxima. Os jovens teriam sido confundidos com criminosos. Testemunhas também disseram a Daniel que os policiais já chegaram atirando.
“Levei os investigadores do DHPP em cada casa de cada testemunha e elas foram intimadas a comparecer para prestar esclarecimentos”, conta o pai de César.
“Levei os investigadores do DHPP em cada casa de cada testemunha e elas foram intimadas a comparecer para prestar esclarecimentos”, conta o pai de César.
As mortes dos rapazes haviam sido registradas como resistência à prisão, mas com as provas levantadas por Daniel e os depoimentos das testemunhas, a Justiça decretou a prisão temporária dos cinco policiais militares. Todos foram levados, nesta semana, para o presídio militar.
Para o promotor responsável pelas investigações, os policiais simularam um confronto. “As vítimas estavam desarmadas, de moto, e a polícia praticamente as fuzilou”, diz o promotor José Carlos Cosenzo.
Em nota, a Corregedoria da Polícia Militar disse que não compactua com qualquer tipo de irregularidade praticada por PMs. O órgão informou ainda que apura rigorosamente os fatos citados na reportagem. Os cinco policiais presos são do 14º Batalhão de Osasco e não tinham autorização para atuar na capital.
Fonte:G1
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