terça-feira, 30 de abril de 2013

Procuradoria analisa investigar contas do partido de Garotinho no Rio


ÉPOCA revelou na edição desta semana que o candidato a governador do PR em 2010 apresentou notas fiscais de campanha com indícios de irregularidades


FESTA O deputado Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha, prefeita de Campos, em evento doméstico. Enquanto eles se divertem, o Ministério Público trabalha (Foto: reprodução/Revista ÉPOCA)
A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro pode abrir uma investigação nas contas da campanha para governador de Fernando Peregrino (PR) em 2010. Pouco conhecido, Peregrino foi lançado como uma espécie de "candidato poste" pelo atual líder do PR na Câmara, deputado Anthony Garotinho. ÉPOCA revelou na edição desta semana indícios de graves irregularidades em notas fiscais apresentadas por Peregrino na prestação de contas. A suspeita envolve uma empresa contratada por Garotinho com verba da Câmara no início de 2011, logo após as eleições.
"Chama a atenção que irregularidades não tenham sido detectadas através do parecer elaborado pelos peritos da Justiça Eleitoral. Mas isso ainda pode ser objeto de apuração para elucidar eventual prática de crime, mesmo com as contas irregulares aprovadas”, afirmou o procurador Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, Maurício da Rocha Ribeiro. O procurador analisa documentos da prestação de contas.

>> Investigação expõe irregularidades na campanha de candidato do grupo de Garotinho 
Peregrino declarou à Justiça Eleitoral gastos de R$ 700,5 mil com "combustíveis e lubrificantes" em um posto de gasolina, mas a nota fiscal apresentada à Justiça Eleitoral discriminava locação de 170 veículos, incluindo cinco caminhões. Ocorre que o Posto 01, localizado em Itaboraí, a 50 quilômetros do Rio, nunca prestou serviço de locação, afirma o Ministério Público Estadual.
 A pedido de ÉPOCA, o perito Ricardo Molina analisou a nota fiscal e apontou "inconsistência, estranheza e indícios de irregularidades”. (Leia matéria de ÉPOCA desta semana).
O Posto 01 está diretamente ligado à GAP Comércio e Serviços Especiais, uma locadora de veículos sediada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Além de sócio em comum, a rede de postos usava a mesma conta bancária da GAP, segundo documentos da Justiça obtidos por ÉPOCA.
 O deputado Anthony Garotinho contratou a GAP no início de seu mandato com verba da Câmara. A locadora recebeu R$ 27 mil, entre fevereiro e julho de 2011, para alugar um carro destinado a atividades parlamentares. Seis meses após a contratação, um veículo de propriedade da GAP, de mesmo modelo e ano alugado pelo gabinete de Garotinho, bateu contra um muro na cidade de Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense. O filho do deputado e presidente municipal do PR, Wladimir Matheus, estava ao volante. Garotinho negou que o carro locado com dinheiro da Câmara fosse o mesmo destruído por seu filho.
 A GAP foi contratada também pela prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, filiada ao PR e mulher de Garotinho. O Ministério Público diz que o contrato, no valor de R$ 32 milhões, é totalmente fraudulento. O MP entrou na Justiça com uma ação contra Rosinha por improbidade administrativa.
Rosinha, Garotinho e Peregrino negam qualquer irregularidade seja nos contratos ou na campanha eleitoral. O Posto 01 diz que prestou os serviços de locação de veículos.
EPOCA

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