Ministério Público afirma que decisão de absolver os quatro ex-seguranças do empresário foi contrária às provas existentes
O Ministério Público de Alagoas entrou, nesta quarta-feira, com um pedido na Justiça para anular a sentença do julgamento dos quatro ex-seguranças do empresário e ex-tesoureiroPaulo César Farias, o PC.
Na sexta-feira passada, os jurados do caso concordaram com a tese da promotoria de que não houve crime passional, mas sim um duplo homicídio de PC e de sua namorada, Suzana Marcolino – encontrados mortos na casa de praia do empresário em junho de 1996. Os jurados também entenderam que pelo menos dois réus tinham responsabilidade no caso. Ainda assim, por maioria, o júri decidiu que eles não deveriam ser punidos e votou pela absolvição por clemência, uma espécie de perdão.
Segundo o promotor Marcos Mousinho, essa decisão de perdoar os réus e ao mesmo tempo apontar responsabilidade foi contrária aos autos da ação penal.
Etapas – Agora, com o recurso protocolado, a promotoria terá oito dias para anexar suas justificativas. Em seguida, é a vez da defesa contar com mais oito dias para apresentar suas contrarrazões.
Após esse prazo, a ação será distribuída para um desembargador, que vai novamente remeter o caso para um procurador de Justiça de 2° instância, que vai analisar o recurso e dar seu parecer. Caso o parecer seja positivo, o recurso será analisado por uma turma de desembargadores, que vai decidir se um novo julgamento deve ser marcado ou não.
É um processo lento, e a promotoria corre contra o relógio, já que quase 17 anos se passaram desde o crime. A previsão é que as acusações de homicídio contra os réus prescrevão em 2016.
Julgamento – Os réus José Geraldo da Silva, Adeildo dos Santos, Reinaldo de Lima Filho e Josemar Faustino foram absolvidos após cinco dias de julgamento.
À época do crime, o grupo de quatro ex-seguranças – formado por policiais que faziam bicos como seguranças – eram responsáveis por proteger PC e estava na casa de praia do ex-tesoureiro, em Guaxuma, Maceió, quando o casal foi encontrado morto a tiros.
Durante o julgamento, a defesa deles explorou a tese de crime passional. Por essa versão, Suzana Marcolino, uma ciumenta e instável comerciante alagoana de 26 anos que namorava PC há pouco mais de um ano, seria a culpada pelo crime. Ela teria atirado no tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor por ciúmes (PC dava sinais de que iria abandoná-la para engatar um romance com outra mulher) e, em seguida, com a mesma arma, cometido suicídio.
Mas o júri não comprou essa versão e descartou a tese do crime passional e reconheceu que o casal foi vítima de homicídio.
veja
Nenhum comentário:
Postar um comentário