O advogado preso em flagrante na última segunda-feira (27) em Araraquara (273 km de São Paulo) sob acusação de tentar entregar seis celulares escondidos num par de muletas para presos faz parte de um esquema chamado de “sintonia das gravatas”, um canal de comunicação entre criminosos dentro e fora do presídio.
A informação é do promotor de Justiça Herivelto de Almeida, 42, que afirmou à reportagem do UOL nesta quinta-feira (29) que vai denunciar Roberto José Nassutti Fiore, 43, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Araraquara, por formação de quadrilha e tentativa de introdução de celulares em presídio.
“O advogado é envolvido com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e não presta apenas serviços jurídicos à organização. Ele precisa explicar por que frequenta tanto a penitenciária, inclusive para conversar com os presos da facção que não são seus clientes”, declarou o promotor.
A expressão “sintonia das gravatas” consta em uma carta, redigida por presidiários, que foi apresentada pela Polícia Civil de Araraquara nesta quarta-feira (28) como um dos documentos que fazem parte da investigação, iniciada em janeiro deste ano, sobre introdução de celulares no presídio de Araraquara. A polícia não sabe se, pelo serviço, o advogado receberia R$ 8 mil ou R$ 8 mil por celular, o que perfazeria R$ 48 mil.
Fiore foi preso em flagrante na segunda-feira no Fórum de Araraquara. Segundo a polícia, ele pediu a um funcionário do Fórum que entregasse um par de muletas novas para um preso que participava de uma audiência. O preso havia se queixado de que as muletas que usava estavam com defeito. "Aí, do nada, apareceu o advogado com o par de muletas novas", afirmou o delegado Elton Hugo Negrini, 45, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
O funcionário, de acordo com a polícia, declarou que não poderia atender o pedido e entregou as muletas a policiais militares que escoltavam o detento. Os PMs suspeitaram do peso das muletas, que continham, além dos seis celulares, cinco carregadores. O advogado foi abordado logo em seguida, ainda dentro do Fórum. Com a chegada da Polícia Civil, pouco depois, Fiore recebeu voz de prisão de dois delegados.
Outro lado
O advogado nega a acusação. Segundo ele, uma mulher, mãe do preso, pediu para ele levar as muletas ao filho, já que ela não ela teria acesso à sala de audiência. Essa versão foi negada pela polícia, que diz, com base em testemunha, que Fiore levou os equipamentos no próprio carro até o Fórum. Como a mulher não conseguiu se aproximar do filho, o próprio advogado teria se incumbido da tarefa.
Fiore também nega fazer parte da “sintonia das gravatas” e diz que não foi mais do que seis vezes ao presídio este ano e que possui apenas três clientes que fariam parte do PCC. “São três pessoas sem a menor expressão.”
O advogado afirma que está sendo vítima de perseguição porque, como membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, criticou as condições dos presos de Araraquara na OEA (Organização dos Estados Americanos). “Muita gente não deglutiu isso direito.”
O promotor de Justiça negou a suposta perseguição e afirmou que “o Ministério Público está convicto do envolvimento do advogado com o PCC e vai levar esses elementos de convicção para o juiz analisar”.
Se condenado, Fiore, que cumpre prisão domiciliar, pode pegar de três a seis anos de prisão, segundo o Ministério Público.
Fonte:UOL
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