segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Advogados que abandonaram júri poderão voltar à defesa de Bola, diz juíza em Minas Gerais

Ércio Quaresma, um dos advogados de Bola, deixa Fórum de Contagem (MG) após abandonar júri, em novembro do ano passado
Ércio Quaresma, um dos advogados de Bola, deixa Fórum de Contagem (MG) após abandonar júri, em novembro do ano passado

A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri de Contagem, autorizou a volta dos advogados Ércio Quaresma e Fernando Magalhães à defesa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ter matado Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Souza, em junho de 2010.
Em novembro do ano passado, os advogados haviam abandonado o plenário do Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte), durante o início do julgamento dos réus acusados da morte da moça.
A alegação dada foi que a magistrada não teria dado tempo suficiente para a apresentação das considerações preliminares aos jurados.  Os advogados enxergaram um "cerceamento de defesa". Após o abandono dos advogados, a juíza desmembrou o processo em relação ao acusado, que será julgado em março deste ano juntamente com o goleiro Bruno e sua ex-mulher Dayanne de Souza.
Na decisão dada pela juíza, que deverá ser publicada nesta terça-feira (15) no "Diário Eletrônico do Judiciário", do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), os advogados estão autorizados a retornar ao caso, mas a multa de 30 salários mínimos (R$ 18.660) aplicada à época a cada um deles foi mantida pela magistrada, informou a assessoria do tribunal.
Já Zanone Júnior, outro advogado que fazia parte da defesa de Bola e tinha abandonado o plenário, não teve o pedido de inclusão do seu nome na petição analisada pela juíza. A multa de 30 salários mínimos foi mantida para ele.
Ao aplicar a penalidade aos defensores de Bola, a juíza relembrou o gasto público com o "estupendo aparato de segurança" montado para o julgamento e que o abandono teria sido feito "sem razão juridicamente relevante". O UOL está tentando contato com os advogados Ércio Quaresma e Fernando Magalhães.

Júri popular

O julgamento feito em novembro do ano passado foi marcado por desmembramentos do processo e reviravolta no caso. Inicialmente, seriam julgados o goleiro Bruno, a ex-mulher Dayanne de Souza, o ex-policial Marcos Aparecidos dos Santos e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e Fernando Castro, ex-amante do goleiro.
No entanto, somente os dois últimos foram julgados porque houve o desmembramento do processo em relação a Bruno, Bola e Dayanne por conta de manobras da defesa dos réus.
O júri popular culminou na condenação de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, a 15 anos de prisão, em regime fechado, pelo sequestro, cárcere privado e morte de Eliza Samudio.
Na mesma sessão, Fernanda Castro, outra ex-amante do goleiro, foi condenada a cinco anos de prisão pelos crimes de sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho dela, hoje com dois anos e sete meses de idade. Como a sentença foi inferior a seis anos, Fernanda irá cumpri-la em regime aberto.
Durante seu depoimento dado à juíza, Macarrão responsabilizou o goleiro pelo desaparecimento de Eliza. Em 10 de junho de 2010, o jogador teria pedido a ele que levasse a vítima para um ponto em frente à Toca da Raposa, centro de treinamento do Cruzeiro, em Belo Horizonte. Lá, uma pessoa estaria esperando por Eliza para matá-la.

"Larga de ser bundão"

O réu afirmou sentir um "clima estranho" quando Bruno lhe pediu para que levasse Eliza, em sua Ecosport. "Eu disse ‘cara, me conta que o tá acontecendo’", relata Macarrão. "Qualquer coisa que acontecer todo mundo vai me culpar", teria afirmado ao amigo.
De acordo com Macarrão, Bruno respondeu, batendo no peito. "Larga de ser bundão, é comigo. Aqui é o Bruno." O acusado diz que tentou argumentar, mas Bruno não o ouviu. "Eu disse: ‘não nasci para isso, não’". Na sequência, ele teria aceitado levar Eliza por ser subordinado a Bruno.
"Tô indo sim, como seu funcionário, mas quero que você saiba que você está acabando com a sua carreira", relatou Macarrão. Questionado pela juíza Marixa Fabiane se "pressentia" que Bruno estava pedindo para levar Eliza com o objetivo de matá-la, Macarrão respondeu que sim.
Macarrão está recluso desde julho de 2010 na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem. Fernanda Castro chegou a ser presa em agosto de 2010, mas ganhou a liberdade em dezembro do mesmo ano e, desde então, responde em liberdade.
Outros réus do caso, Wemerson Marques de Souza, amigo de Bruno, e Elenílson Vítor da Silva, o Coxinha, ex-caseiro do sítio do goleiro, também irão a júri, sem data definida.

Fonte:Uol


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