Flávio Ilha
Do UOL, em Porto Alegre
Do UOL, em Porto Alegre
Quatro jovens – entre eles, dois menores de idade – foram mortos na madrugada de domingo (13) em Cachoeirinha (região metropolitana de Porto Alegre), por homens vestidos com fardas da Brigada Militar (BM) e coletes da Polícia Civil.
Segundo o delegado Rafael Liedtke, que investiga o caso, o crime provavelmente tem relação com um acerto de contas entre traficantes. Antes do episódio, os quatro jovens haviam sido abordados por uma patrulha da BM que buscava traficantes na região, que faz divisa coma zona norte de Porto Alegre.
Todos os mortos tinham passagens pela polícia por porte de drogas, porte ilegal de armas ou tráfico de drogas. Como não portavam nenhum material ilegal, foram liberados pelos PMs. Na casa onde eles estavam também não havia armas ou drogas.
A polícia identificou os jovens como Alisson Cesar de Assis Fonseca, 24, Maicon Machado Cruz, 18, Douglas Nunes de Gois, 16, e Peterson Leandro de Freitas, 14. Uma das vítimas chegou a ser socorrida pela Brigada Militar, mas morreu durante atendimento no Hospital Padre Jeremias.
Toucas ninja
Dois suspeitos foram presos logo após a ocorrência. Os mesmos policiais militares que abordaram os jovens ouviram estampidos depois da abordagem e trocaram tiros com os ocupantes de um Focus preto que fugia em alta velocidade. Quatro homens estavam a bordo do carro. Um PM ficou ferido.
Além dos uniformes, a BM encontrou radiotransmissores e toucas ninja dentro do carro. Dois homens foram presos na cidade vizinha de Gravataí portando um revólver calibre 38. Eles foram reconhecidos pelos policiais que atenderam a ocorrência.
Segundo Liedtke, gangues que atuam na zona norte de Porto Alegre podem estar por trás da chacina. "Nossa investigação apontava para a possibilidade de um confronto entre dois grupos rivais em busca de novas bocas de fumo", reforçou o delegado.
Fardas para "desviar o foco"
Os quatro jovens mortos, de acordo com o policial, provavelmente estavam se refugiando de rivais na região metropolitana de Porto Alegre. A vila Anair, onde ocorreu o crime, é um ponto de tráfico conhecido dos policiais. Na semana passada, seis pessoas já haviam sido assassinadas na mesma região.
O comandante do Policiamento da região metropolitana, tenente-coronel Florivaldo Pereira Damasceno, suspeita que o grupo tenha agido com fardas com o objetivo de incriminar PMs e desviar o foco da investigação policial.
Devido às características dos tiros que atingiram a viatura no tiroteio, a Brigada Militar suspeita que os criminosos tenham usado um fuzil. Um inquérito policial foi instaurado pela 2ª Delegacia de polícia de Cachoeirinha para investigar o caso.
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