Principal acusado da morte do prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, responde em liberdade e será julgado separadamente devido a recursos judiciais.
Nesta quinta-feira, começará em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo) o julgamento de cinco acusados pelo crime ocorrido há dez anos.
Além de conseguir postergar seu julgamento, Sombra ainda tenta derrubar no Supremo Tribunal Federal o poder de investigação do Ministério Público em casos criminais. Se conseguir, anulará boa parte das provas.
O julgamento de Gomes da Silva, que nega participação no caso, é o mais aguardado pela Promotoria, mas ainda não tem data marcada pela Justiça --ele conseguiu um habeas corpus no Supremo.
Ele chegou a ficar preso por oito meses e, segundo pessoas próximas, leva uma vida discreta no ABC paulista.
Já no julgamento de hoje, o Ministério Público de São Paulo voltará a defender que o assassinato está vinculado a um esquema de desvios para financiar campanhas do PT.
A Promotoria repetirá a tese que já levou à condenação de Marcos Roberto Bispo dos Santos, o único que foi julgado até agora.
Para o Ministério Público, o grupo foi contratado por Sombra para matar o prefeito. O motivo é que Daniel teria descoberto que recursos desviados para o PT foram embolsados pelos envolvidos no esquema.
"A partir do momento que ele descobriu que o dinheiro do esquema estava engordando o bolso dos participantes, não concordou. Ele queria voltar ao esquema inicial de caixa dois do PT", afirmou o promotor Márcio Friggi, escalado para fazer a acusação.
A tese da Promotoria vai na contramão das investigações da Polícia Civil, que concluiu ser um crime comum.
Para a Promotoria, uma vitória no júri hoje terá impacto no julgamento de Sombra.
Há expectativa sobre o depoimento de Elcyd Oliveira Brito, o John, que chegou afirmar durante as investigações que o crime foi encomendado, mas depois recuou.
A Promotoria também cita uma ação de improbidade na qual o PT e o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) são acusados de desviar recursos de Santo André. As testemunhas do caso serão ouvidas em julho.
Fonte:Folha de SP
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