quarta-feira, 13 de junho de 2012

Corpo de vítima dos "crimes de maio" de 2006 é exumado em Santos


  • Corpo de gari supostamente assassinado por um grupo de extermínio foi exumado nesta quarta em Santos
    Corpo de gari supostamente assassinado por um grupo de extermínio foi exumado nesta quarta em Santos
O corpo do gari Edson Rogério Silva dos Santos, supostamente assassinado em 15 de maio de 2006 por um grupo de extermínio, foi exumado na tarde desta quarta-feira (13), no Cemitério da Areia Branca, em Santos, no litoral de São Paulo (a 72 km da capital paulista). Essa é a primeira vítima da sequência de mortes que ficaram conhecidas como “crimes de maio” a ter o corpo desenterrado para novas investigações. O gari, que trabalhava para uma empresa que prestava serviços para a Prefeitura de Santos há quase sete anos, deixou um filho. Na época, Edson tinha 29 anos.

A exumação, solicitada pelo Ministério Público à Justiça, visa encontrar a bala que teria matado o rapaz, que ficou alojada em seu corpo, para ser periciada, fato que não aconteceu em 2006. Segundo Débora Maria da Silva, mãe da vítima, ele foi enterrado com o projétil no corpo em razão de o IML (Instituto Médico Legal) não ter, na época, instrumentos que possibilitassem a retirada da bala. “Nós precisamos saber a verdade. Se o projétil não for encontrado, será uma prova de que foi um erro deixar de retirar a bala do corpo dele, e isso só aconteceu porque os instrumentos do IML estavam quebrados na época”, afirma Débora Maria.

Para o defensor público Antonio Maffezoli, que acompanhou a exumação, não houve cuidado suficiente na retirada dos restos mortais. A opinião do defensor público é compartilhada pelo deputado federal Adriano Diogo (PT-SP) e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, que também presenciou a exumação a convite da família. “Embora o médico legista tenha se esforçado, poderiam ter mais cuidado ao mexer nos restos mortais. Tinha muita lama em volta do invólucro do caixão e não havia uma iluminação adequada na hora. Mas isso não quer dizer que o laboratório não consiga examinar tudo corretamente”, relatou.

O médico legista Rogério Bernardo explicou que todo o processo de exumação foi dificultado por conta do tempo que se passou desde que a vítima foi enterrada. “Tudo o que foi recolhido será devidamente analisado. O tempo que se passou desde então dificulta a investigação. De tudo o que recolhemos, só restou uma fina camada de terra. Garimpamos o local e não vimos nenhum projétil, mas analisaremos tudo. Se houver, estará no material”. Os estudos devem estar prontos entre dez e 15 dias.

O deputado Adriano Diogo disse que, na última segunda-feira (11), os membros da Comissão Nacional da Verdade, que visa investigar violações dos direitos humanos ocorridas no país, trataram do tema fora da pauta do encontro. “Isso é muito importante, pois demonstra que há uma preocupação com o caso. O Brasil precisa saber que esse tipo de coisa ainda acontece”.

"Crimes de maio"

Os “crimes de maio”, sequência de assassinatos que aconteceram em maio de 2006 na Baixada Santista, Guarulhos e em São Paulo, completaram seis anos no último dia 12 de maio sem que qualquer solução.

De acordo com o Movimento Mães de Maio, fundado por Débora, entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, pelo menos 493 pessoas foram assassinadas quando grupos de extermínio revidaram ataques de uma facção criminosa que atua no Estado de São Paulo, o PCC (Primeiro Comando da Capital).

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) condenou o Estado em novembro de 2011 a indenizar os familiares do gari em R$ 165 mil. A decisão judicial foi a primeira em relação aos “crimes de maio”.
Fonte:Uol

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