O advogado Aryldo de Paula, que representa os PMs suspeitos de matar o publicitário Ricardo Prudente de Aquino, 39 anos, afirmou na noite desta quinta-feira que os recentes ataques registrados no Estado de São Paulo contra policiais contribuíram para a atitude dos agentes na noite do crime.
"Qual o motivo que os policiais teriam para matar? Eles (PMs e a vítima) nunca se viram. Teve várias ataques contra a polícia e não vi ninguém falar sobre isso. Tem que analisar todo o contexto e não só o fato em si. Tem pressão psicológica, ataques de organizações criminosas. Lógico que (os ataques contra a PM) influência. Imaginemos vocês. Há uma ataque contra os jornalistas. Qualquer barulho que vocês ouvirem vão pensar que é tiro contra vocês. Eles me disseram isso (que estavam abalados psicologicamente). Esses ataques é algo muito além de um stress comum. Você está patrulhando de noite e passa uma moto e você não sabe se ela pode atirar uma granada contra você ou não", declarou o defensor durante a reconstituição do caso.
Segundo ele, o comportamento da vítima também colaborou para a conduta dos agentes durante a abordagem. De Paula lamentou a morte do publicitário, mas chegou a afirmar que o publicitário agiu como um "meliante" e que, se tivesse parado quando recebeu ordem policial, "nada disso teria acontecido".
"Ele (o publicitário) praticou todas as condutas de um meliante. Ele tentou fugir, e os policiais atiraram para evitar a fuga. Não houve erro", disse. "Se ele tivesse parado no momento que mandaram, nada disso teria acontecido", afirmou.
Ao defender seus clientes, o advogado também demonstrou como deve elaborar a defesa dos réus. Por duas vezes, Aryldo de Souza recorreu a um artigo do Código Penal, chamado legítima defesa putativa, para explicar o que aconteceu na noite do assassinato.
"Todo contexto, a tentativa de passar pela viatura, mais o celular não mão, exigiu essa conduta. Tanto é verdade que existe a legítima defesa putativa. Eu fui PM, servi na Rota e na Força Tática. Eu sei na prática, não é de ler em revista", ironizou os jornalistas. "Então eu sei quando é perigo, quando não é perigo, quando um policial deve atirar e quando não deve atirar. (Como não houve a agressão) é uma legítima defesa putativa. Não é real. Eles acreditaram que seriam agredidos."
No entanto, o advogado dos PMs não escondeu a irritação quando questionado se o correto não seria averiguar antes de iniciar os disparos. "Ué, é o instinto de sobrevivência. Você não atiraria se não tivesse correndo risco de morte? O que vocês esperam de um policial? Que ele morra", respondeu.
Investigação
A reconstituição da morte do publicitário, feita pela Polícia Civil, durou cerca de duas horas. Os três policiais militares acusados pela morte de Aquino participaram da reconstituição, por meio de uma autorização judicial.
A reconstituição da morte do publicitário, feita pela Polícia Civil, durou cerca de duas horas. Os três policiais militares acusados pela morte de Aquino participaram da reconstituição, por meio de uma autorização judicial.
Fardados, eles chegaram ao local escoltados por agentes do Presídio Militar Romão Gomes. Isso porque, nesta quinta-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu habeas-corpus aos três acusados. Mas, apesar da decisão, o cabo Adriano Costa da Silva, 26 anos, e os soldados Luiz Gustavo Teixeira Garcia, 27 anos, e Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30 anos, seguem presos, já que a soltura foi concedida pela Justiça comum, e não pela militar.
Ricardo Prudente Aquino foi assassinado no último dia 18. Segundo a versão da Polícia Militar, ele fugiu de uma blitz, iniciando uma perseguição de cerca de 10 minutos. Aquino só parou depois que os três policiais acusados fecharam, com a viatura da Força Tática, a passagem do carro da vítima na avenida das Corujas, em Vila Madalena. Por causa da fechada, os veículos chegaram a colidir.
Em seguida, os PMs fizeram oito disparos contra o carro, sendo que dois acertaram o lado esquerdo da cabeça do publicitário. Aquino chegou a ser socorrido para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. Os policiais foram autuados em flagrante por homicídio doloso (quando há intenção de matar).
Fonte: Terra
Nenhum comentário:
Postar um comentário