domingo, 18 de agosto de 2013

‘Parei minha vida por causa da OAB’, diz jovem que faz prova pela 8ª vez

Gisele Ribeiro fez a prova em Mogi das Cruzes neste domingo (18).
Ela afirma já ter gastado R$ 2 mil apenas nas incrições da OAB.



Gisele, de Poá, diz que já gasto R$ 2 mil apenas nas inscrições para a prova da OAB. (Foto: Carolina Paes/G1)Gisele, de Poá, diz que já gasto R$ 2 mil apenas nas inscrições para a prova da OAB. (Foto: Carolina Paes/G1)
Na frente da universidade de Mogi das Cruzes onde ocorrem as provas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) neste domingo (18), uma jovem chamava atenção uma hora antes do exame começar. Encostada em um alambrado, Gisele de Almeida Ribeiro, de 29 anos, folheava um enorme livro. Para ela, mesmo nos últimos segundos vale a pena se esforçar. “Um pouco antes adianta. Quero dar uma olhada nas leis.”
Nunca pensei em desistir. Vou fazer até passar! Seja o que Deus quiser!"
Gisele de Almeida Ribeiro, veterana na OAB
A estratégia é de alguém que se diz “calejada de tanto fazer prova”. Esta é a oitava vez que Gisele, moradora de Poá, passa pelo exame da OAB. Formada desde 2010, com a carteirinha ela pretende fazer concursos públicos. O objetivo é recuperar tudo que já investiu na carreira de advogada. Segundo Gisele, apenas em inscrições para os exames da Ordem dos Advogados do Brasil já gastou R$ 2 mil. Isso sem falar dos custos dos cursinhos preparatórios, já que, para ela, apenas com o conteúdo da faculdade não dá para passar. “Para quem trabalha e estuda fica bem complicado. Tem que fazer cursinho, estudar e focar. Eu sempre trabalhei e atualmente faço estágio.”
O exame tem tomado muito tempo de Gisele. “Parei minha via por causa da OAB, de sair, de me divertir”, diz. Os estudos para essa prova começaram depois da decepção da última, em abril, quando faltaram apenas três pontos. Para ela, a grande dificuldade são as pegadinhas. Mas ser uma veterana também traz vantagens. “Nas duas últimas provas fiquei mais tranquila. Nas outras eu ficava muito ansiosa.”
Em Mogi das Cruzes havia 655 inscritos. Pessoas de várias cidades do Alto Tietê e também do litoral, como Juvenal Aparecido da Silva, que veio de Bertioga. Assim como Gisele, o estudante do nono ano de Direito chegou cedo para evitar problemas. Mas, ao contrário da veterana, esta é a primeira prova de Juvenal, que estava um pouco preocupado. “Eu me preparei por oito meses. Estudei em casa e fiz cursinho. Estou tentando ficar tranquilo.”Se não for dessa vez, Gisele também já está preparada. “Nunca pensei em desistir. Vou fazer até passar! Seja o que Deus quiser!”, afirma.
Gustavo Loducca, de Mogi, tenta passar no exame pela terceira vez. (Foto: Carolina Paes/G1)Gustavo Loducca, de Mogi, tenta passar no exame
pela terceira vez. (Foto: Carolina Paes/G1)
Gustavo Loducca mora em Mogi das Cruzes e, ainda assim decidiu chegar bem ante das 13h, horário agendado para a prova. Esta é a terceira tentativa de Loducca. “É triste não passar, mas não vou ficar encanado. Eu estou tranquilo”, garante ele poucos minutos antes de os portões se fecharem.
Unidos pelo Direito
Luiz Ferreira Santos, de 46 anos, e Fernanda Tallmann, de 36 anos, fazem a prova da OAB juntos pela terceira vez. Os dois se conheceram na faculdade de direito e acabaram casando. Juntos, já realizaram muitos sonhos, mas falta a OAB. Para Santos, eles têm a vantagem de estudar juntos. "Ajuda porque tem companhia para estudar. Os dois já conseguiram chegar à segunda fase e estão confiantes. Mas, neste caso, a alegria só vai ser completa se vier em dose dupla. "A gente acha que vai conseguir passar juntos", diz ele às pressas enquanto corre para chegar antes que o portão se feche.
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O casal Luiz e Fernanda só vai ficar feliz se os dois passarem juntos na OAB. (Foto: Carolina Paes/G1)O casal Luiz e Fernanda só vai ficar feliz se os dois passarem juntos na OAB. (Foto: Carolina Paes/G1)

10 comentários:

  1. Sou totalmente contra o exame da Ordem. O que dá o teu direito de exercer a profissão é o teu diploma. Se existem faculdade com ensino duvidoso, cabe ao MEC avaliar e decidir. Poderia sim, a OAB de forma conjunta com o MEC fazer avaliações anuais nas faculdades e recomendar mudanças que visassem o bom ensino e aí emitir pareceres que atestassem sua qualidade. Ainda admitiria que a existisse tal exame, mas apenas para quem quisesse fazê-lo e que aí sim, servisse como um "plus" na carreira. Algo como as "ISO" colocadas em produtos e serviços. A pessoa comum, o cliente optaria em contratar um advogado com a carteirinha ou sem a carteirinha, mas ambos aptos a advogar por terem se formado em Direito.

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    1. Diploma é relativo e o que dá o direito de exercer a profissão JAMAIS deverá ser o diploma pois quem faz a faculdade é o ALUNO. Um exemplo clássico disso é o pai de um amigo meu que cursou Direito na pior faculdade do Estado do Rio e hoje é considerado um dos maiores advogados empresariais do país.
      Quanto ao fato da garota acima, será que ela levou o curso a sério? Ou era da turma do cola-cola?
      A prova da Ordem deve ser rigorosa mesmo, ele é necessário para uma boa qualidade na advocacia, cabe lembrar que com péssimos profissionais quem sai perdendo é a sociedade.

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    2. A faculdade é excelente e o aluno é um malandro,que não frequenta aulas,que não presta atenção. Deve receber a carteira da Ordem para lidar com o patrimônio, interesses e vida das pessoas?? Quem não quer a prova da Ordem é quem não quer estudar ou tem enorme dificuldade de aprendizado. Se um passa,qualquer um pode passar, desde que estude. Chega de paternalismo e péssimos profissionais.Faculdade boa é aquela que tem aluno bom.

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    3. Fabio Sales, cada caso é um caso e se voce cursou/cursa Direito entende muito bem isso. Se não é da área isso não o escusa de nao entender. A prática tem evidenciado Advogados que desonram a classe, seja por seu descaso com o cliente, seja por sua falta de profissionalismo, seja por sua falta de conhecimento jurídico o que, por consequencia, deixa o cliente a mercê de preclusões lógicas, ações inapropriadas...já nao bastasse a morosidade do Judiciário, o mau advogado, por sua vez, pela ausência de técnica que o dê potencial domínio processual agrava esse quadro. Hoje, alguns advogados aprendem a advogar com os juízes e isso acarreta aquele vai e vem do processo, infindavelmente. E você vem me dizer que é contra a prova da Ordem? Respeito sua opinião, contudo, nao concordo com ela. Se o exame de ordem não estivesse aí, a situação estaria mais crítica do que já está: profissionais despreparados impregnando o cenário jurídico. O mercado, sobretudo nessa área, requer profissionais aptos e nao Advogados que usam a profissão como hobby. Atrás de cada processo há vidas que almejam que sua dignidade, como direito fundamental que é, seja tutelado contra qualquer tipo de lesão e ameaça injusta.

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  2. Waldeck Faria da Cruz18 de agosto de 2013 12:23

    A OAB é feudo e como a maioria dos políticos são advogados (e muitos nunca fizeram exame de ordem), então ficam tentando arranjar desculpas. Como a Câmara dos Deputados e o Senado representa as oligarguias e a burguesia, o povo nunca terão vez.

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    1. A prova da Ordem sempre existiu meu amigo, a diferença o rigor. Quando começou a existir ADEVOGADO perdendo N prazos e Juízes mandado extinguir processos a rodo eles acordaram e falaram que a prova deveria ser mais rigorosa.

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    2. Já com o Exame da OAB existem vários ADEVOGADOS, imagina se não existir...tem que arroxar mesmo.
      Quem quiser a Carteira da OAB que estude para passar.

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  3. Acho que todo profissional deveria ser submetido a um exame desse tipo antes de exercer a profissão de fato. Tenho preconceito contra profissionais oriundos de faculdades particulares, principalmente medicina. Mas quando se trata de advogados confio plenamente. Afinal, a faculdade pode não filtrar os candidatos, mas a OAB faz esse papel.

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  4. Esse Fábio Sales não sabe o que diz. Se o cara não passa em um Exame fraco como esse não deveria nem receber certificado de 2ª grau.

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  5. O Exame de Ordem é tão "fraco" que reprova 90% dos candidatos. Me recuso a acreditar que 9 em cada 10 alunos tenham levado a faculdade na base da brincadeira.

    O grande problema da OAB é que ela te dá pouco mais de 2 meses para rever 5 anos de matéria. E ninguém aqui é savant suficiente para decorar 5 anos de conteúdo, é humanamente impossível.

    A solução para qual muitos apelam (e eu apelei também, e fui aprovado) é fazer um cursinho e paralelamente ler a lei seca e sinopses jurídicas, fazer exercícios e, claro, rever a matéria do cursinho. Se para quem só estuda já é difícil, imagine para quem tem que trabalhar também.

    O segundo grande problema é que esses estudos de par de meses não é suficiente para um candidato chegar "afiado" para a prova. Ajuda e aumenta bastante as chances de passar, mas longe de ser a panacéia da qual muitos precisam.

    A pressão que muitos sofrem não permite que alguns se dêem o luxo de estudar com calma 1 ano para fazer o exame. Tem que se preparar em um curto espaço de tempo de forma precária e se reprovar, tem que passar por essa maratona de estudos novamente, o que não raras vezes leva a um círculo vicioso de reprovações.

    O problema não é nem a primeira fase, mas vai fazer a segunda fase em tributário para ver o que é bom, vai!

    Infelizmente o bacharel paga pela incompentência de nossas combalidas instituições de ensino superiores. Ainda que empenhados, não lograrão êxito pois tiveram uma péssima base.

    E claro, existem vários absurdos no Exame de Ordem.

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