sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Tempo da Aprendizagem: maturação e angústias


É natural que ao ingressarmos no universo dos concursos públicos, ou estabelecermos como objetivo a aprovação em algum exame oficial, sejamos tomados por alguma dose de angústia relacionada ao tempo. Ou seja, tendemos a almejar uma aprovação rápida e, de preferência, com o menor custo possível.
Pode ser que tais compreensões sejam influenciadas porfatores objetivos e externos, como alguma necessidade de natureza financeira, material ou profissional. Mas independente da situação específica de cada um, é fato que vivemos a era da velocidade, do imediatismo, do espetáculo e do menor custo. Vivemos a era de culto ao grátis. Tudo precisa ser fácil, rápido e sem ônus!
Daí porque criei, inclusive com alguma intenção crítica, a expressão “candidato microondas”, o qual corresponde ao que busca a aprovação “fast food” e “almoço grátis”.
Porém, o problema é que as provas de concursos públicos estão com um nível de dificuldade cada vez maior. Ainda que possamos discutir e problematizar o conceito de prova difícil (clique aqui para ler o texto As provas estão mais difíceis???)
Apesar desta contradição contemporânea, alguns aspectos relacionados ao tempo e à aprendizagem precisam ser considerados.
Primeiramente, no campo do gerenciamento dos estudos, é preciso entender que há uma diferença entre o conceito de tempo e duração. No Sistema Tuctor existem mecanismos que trabalham exatamente com estas variáveis e estabelecem estimativas de conclusão do planejamento de estudos (clique aqui para ler Gestão de Metas nos Estudos para Concursos).
Mas no campo da aprendizagem, existe um tempo próprio da cognição, sobre o qual não há um controle consciente, direto e intencional.
No livro que escrevi sobre o tema da metapreparação para concursos (como se preparar para concursos), desenvolvi uma articulação entre o processo de preparação para o concurso público e uma construção denominada Teoria da Psicogênese da Língua Escrita, criada por Emília Ferreiro e Ana Tereboski, duas respeitadas pesquisadoras da aprendizagem humana, segundo a qual o processo de alfabetização tem algumas etapas e ciclos naturais de maturação do conhecimento que precisam ser respeitados.
E estabeleci esta proposição inclusive com bases empíricas, envolvendo não só a minhaexperiência de candidato, como também de professor, acompanhando mais de perto alguns alunos, hoje aprovados nos concursos almejados. Eu não passei no concurso quando queria. Eu não controlei o meu tempo da cognição. Mas hoje, olhando para trás, posso ver e entender como este processo se desenvolveu.
Um parâmetro importante sobre esta maturação da aprendizagem consiste na conclusão do planejamento de estudos estabelecido. Já tive inúmeros exemplos e pude testemunhar experiências de candidatos que não eram os mesmos após a conclusão do planejamento adequadamente estabelecido. Começou uma pessoa e terminou outra! Principalmente quanto à capacidade de formulação de soluções e respostas para problemas, inclusive extraídos de provas.
Outro elemento importante, relacionado a esta maturação da aprendizagem, trata-se da lógica da plasticidade e do sentido associativo da memória.
Vale lembrar que, também conforme também desenvolvi no livro que escrevi sobre ametapreparação, “temos funções cognitivas consideradas primárias e outras secundárias. As funções primárias, necessárias às secundárias, correspondem à sensação, percepção, atenção e memória. Já as secundárias, mais elaboradas e dependentes das primárias, consistem na linguagem e aprendizagem”. (clique aqui para mais informações sobre Como se Preparar para Concursos com Alto rendimento, Ed Método).
Considerando as referidas funções, o conceito de plasticidade envolve uma lógica segundo a qual quanto mais exercitamos nossas capacidades cognitivas, mais estas tendem a se ampliar, sob a dinâmica de que, como dizem os estudiosos no tema, “a função faz o órgão”. Assim,quanto mais nos mantemos na nossa trajetória de estudos, mais ampliamos funções como memória e concentração.
Outro aspecto importante consiste no sentido associativo da memória. Ou seja, a apropriação de uma nova informação não vem do nada, mas de uma informação apropriada anteriormente. Assim, quanto mais ampliamos o universo da informações apropriadas, mais aumentamos nossas condições de apropriação de novas informações. É o que tenho denominado de aprendizagem em progressão geométrica. (clique aqui para ler A Lógica Associativa da Memória).
Vale ainda destacar que o tempo e a maturação nos estudos também permite, de uma forma ou de outra, a reiteração do contato com os conhecimentos apropriados, por meio de revisões. E isto, em termos de memória, significa reforço de conexões (clique aqui para ler o texto Estudar é Internalizar Informações?).
Todas estas considerações podem explicar a idéia que algumas pessoas dedicadas à preparação para concursos desenvolveram empiricamente, sob a denominação de teoria das filas. Segundo esta visão, construída de forma apenas intuitiva, quando alguém decide se tornar candidato a concursos públicos, entra numa fila, sendo que se mantenho empenhada na preparação uma hora sua vez chegará.
Na minha visão, trata-se de uma questão de planejamento e cognição!
Mas o fundamental é entender que a aprendizagem tem o seu tempo, que nem sempre é aquele que queremos. E assim, o ideal é não tentar subverter ou ignorar esta lógica, ainda que os tempos contemporâneos clamem o contrário, bem como, ao mesmo tempo, é importante construir estratégias de neutralização das naturais angústias.
Daí porque tenho sustentado o mantra do “Foco no Processo” (clique aqui para lerPreparação para Concursos e Foco no Processo).
Boa maturação cognitiva!
Fonte:Rogério Neiva

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