O MPF (Ministério Público Federal) informou, nesta quinta-feira (21), que dois soldados do Exército foram denunciados pela morte do adolescente Abraão da Silva Maximiliano, 15, morto a tiros por soldados no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, em dezembro de 2011.
Segundo a denúncia do MPF, Abraão foi atingido por um tiro de fuzil nas costas. De acordo com a investigação, ele estava desarmado e não portava drogas. O adolescente morreu na hora.
Os dois soldados responderão à Justiça Federal por homicídio qualificado. O processo não correrá junto à Justiça Militar por ser um crime doloso contra um civil. "Não resta dúvida de que as Forças Armadas prestaram relevante serviço ao Rio de Janeiro, participando do processo de pacificação das comunidades tomadas pelo tráfico e pela violência", afirmou o procurador da República Fernando Aguiar na denúncia. "No entanto, fatos como este, em que um adolescente foi morto com um tiro de fuzil nas costas, precisam ser submetidos ao Poder Judiciário, a fim de que seus executores sejam devidamente responsabilizados."
Abraão morreu três dias depois de completar 15 anos. Ficou órfão de pai aos cinco anos. A mãe morreu em 2009, de pneumonia. Duas irmãs mais velhas ficaram responsáveis por ele, pelo irmão de 18 anos, que tem problemas mentais, e pela caçula, de 11. Abraão não estudava e fazia bicos numa feira livre. Integrantes da Igreja Evangélica Nova Vida disseram que desde os 11 anos ele era voluntário num programa de atendimento a moradores de rua.
UOL
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