sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Carandiru: promotor exclui 21 vítimas e pede condenação por 52 mortes

A promotoria pediu que 21 das vítimas sejam retiradas da acusação dos réus Foto: Fernando Borges / Terra
A promotoria pediu que 21 das vítimas sejam retiradas da acusação dos réus
Foto: Fernando Borges / Terra

O promotor Fernando Pereira da Silva, responsável pela acusação dos 25 policiais acusados por 73 mortes no terceiro pavimento da Casa de Detenção de São Paulo, em outubro de 1992, pediu na manhã de sexta-feira que a morte de 21 desses presos deixassem de ser imputadas aos acusados. Segundo ele, três foram mortos por armas brancas - durante a briga entre os presos -, outros quatro morreram fora daquele andar e 14 foram mortos do lado direito do pavimento, local em que os policiais acusados, da Rota, não teriam atuado.

Com isso, a pena mínima, em caso da condenação dos réus, pode cair de 876 para 624 anos. Em caso de homicídio qualificado, a menor pena é de 12 anos por vítima.
Aos jurados, Pereira da Silva disse que não está em jogo o julgamento da instituição daPolícia Militar, mas sim os policiais que agiram fora da lei. "Não queremos julgar aqui a mão forte da polícia que age dentro da lei. Mas aqueles que agiram de forma absurda e ilegal. Os que tiveram uma conduta criminosa. O que não pode prevalecer é o desrespeito à vida", disse.
Para o promotor, não se trata de um filme de "polícia e bandido". Não se deve julgar pelo lado da polícia ou dos presos, mas da conduta daquela tropa. Este é o julgamento mais complexo do Tribunal do Júri brasileiro.

Aos jurados, o promotor disse ainda que a adulteração do local das mortes é grave e foi uma forma de atrapalhar as investigações. "O pavilhão estava fechado. Acabaram de fazer um massacre. Civis foram impedidos de entrar e autorizaram a remoção dos corpos. Quem adulterou a cena do crime foram os policiais militares. Vão ter de aceitar o ônus disso."
Pereira da Silva afirmou que, durante o julgamento, os policiais ouvidos criaram uma versão mentirosa, que é desqualificada pelos próprios depoimentos dados durante estes quase 21 anos em que o processo se desenvolve. "O que disseram aqui foi para justificar a trapalhada. Montaram nestes dias uma farsa. Uma versão montadinha para que os senhores (jurados) caiam. A estratégia é montar uma Arapuca. Os presos que estavam lá foram violentamente massacrados."

Nesta sexta-feira, a acusação terá três horas para apresentar a sua versão para os jurados. Depois disso, será a vez da defesa, com o mesmo tempo. As duas partes podem optar por mais duas horas cada, e somente depois disso o conselho de sentença deverá se reunir. A decisão só deve sair por volta das 2h da madrugada de sábado.
Terra

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